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Qual a relação custo-benefício de construir o estaleiro na praia do Titanzinho?
06 Fev 2010 - 20h21min
Durante toda a semana O POVO acompanhou a polêmica sobre a construção do estaleiro na praia do Titanzinho. O tema repercutiu entre os internautas e gerou mais de 300 comentários em matérias publicadas no O POVO Online somente entre os dias 1º e 4. Tanto interesse motivou a criação do fórum ``Você é a favor do estaleiro no Titanzinho?`` no portal www.opovo.com.br. Leitores também enviaram para a Editoria de Opinião e-mails comentando a polêmica. Na enquete de hoje, O POVO procurou saber os prós e contras da localização do empreendimento.
Vantagens
Existe um ponto fundamental nessa discussão: o único lugar possível para a instalação do estaleiro é o Serviluz. A população será ouvida sobre esta decisão. Sua implantação gerará 6.200 empregos, sendo 1.200 para a população local, além de outros benefícios sociais, como a qualificação profissional. Não será necessário o deslocamento de nenhuma família da área e, também, será possível compatibilizá-lo com outras iniciativas urbanistas, considerando a existência do Porto e de outras indústrias instaladas ali há muitos anos. O transporte da matéria-prima será pelo mar, portanto, sem congestionamento de tráfego. A prática do surfe terá continuidade. Homens e mulheres, jovens e adultos ali residentes serão favorecidos.
ADAIL FONETENLE
Secretário de Infraestrutura do Estado do Ceará
Comprometimento
Além dos aspectos técnicos e ambientais que envolvem um estaleiro, já expostos pela comunidade acadêmica e científica, esse empreendimento comprometeria uma série de iniciativas da Prefeitura de Fortaleza que envolvem o litoral de maneira integrada. Ações que, inclusive, já estão em andamento à luz do Projeto Orla, como o Vila do Mar, a requalificação da Praia de Iracema e da Beira Mar, dentre outros. Além disso, propomos a criação de um parque marítimo na Praia Mansa, aberto à comunidade, que se integraria ao Titanzinho e ao Farol Velho do Mucuripe - que será requalificado -, bem como ao Aldeia da Praia, projeto de requalificação urbana do Serviluz que está em fase de captação de recursos. Ou seja, um estaleiro no local iria contra as nossas perspectivas de desenvolver a região aproveitando seu potencial turístico e belezas naturais. LUIZIANNE LINS
Prefeita de Fortaleza
Debate
Ainda faltam muitas informações para ser possível dar essa resposta adequadamente: afinal, os empregos do estaleiro irão durar quanto tempo? Quem será favorecido já que a população do Serviluz não tem qualificação adequada? Oferecer 1.200 empregos para uma região tão pobre como aquela é sempre uma atitude positiva, mas, antes de se decidir pela instalação ou não de um empreendimento de tal dimensão, deve-se pesar se vale mesmo a pena diante de outras potencialidades pouquíssimo exploradas até aqui e que estarão sendo anuladas, como a do surfe e a do turismo, além das relações dos moradores dali com o mar, que serão totalmente modificadas. Abrir para um amplo debate, com os mais diversos segmentos da sociedade, é algo que deve anteceder qualquer decisão.
KAMILA FERNANDES
Editora adjunta do Núcleo de Conjuntura do O POVO
Inviabilização
É impraticável calcular a relação custo/benefício na falta de dados sólidos. No entanto, salta aos olhos a inconveniência de se construir ali um estaleiro, mesmo dentro do mar, inviabilizando o aproveitamento futuro da praia para uso mais nobre. Seria uma praia sem mar. A Praia do Titanzinho está degradada, é verdade, mas, junto com a Praia Mansa, ocupa o espaço mais bonito de Fortaleza. Com descortino, visão e vontade política, poderiam os governantes transformar aquele recanto no cartão postal da cidade. A construção do estaleiro atende a uma visão imediatista, de curto prazo, que cava a criação de mil e poucos empregos hoje em detrimento de milhares de empregos de qualidade que a atividade turística poderia gerar no futuro. Embelezemos a cidade! Afinal, Fortaleza pretende ou não se converter num destino turístico de peso?
AFFONSO TABOZA
Diretor da Federação das Industrias do Estado do Ceará (Fiec)
Inclusão
Segundo o Banco Mundial, R$ 116.285 é o custo de um jovem engajado em atividades criminosas. No Serviluz, são cerca de 300 jovens. Os projetos sociais de surfe, de turismo comunitário, de fotografia, audiovisual e inclusão digital do Titanzinho mantém mais de mil crianças e jovens longe das drogas, do crime e da violência. Com inclusão cidadã, com o pé na praia e nas ondas, promovem economia anual de R$ 116.285.000 para o Ceará. Sem escola de ensino médio, reivindicação histórica ignorada pelo Governo do Estado, e com esgotos a céu aberto, dos 21.529 moradores do Serviluz apenas 14.887 são alfabetizados. É o pior IDH-M da SER II, 0,386. Do bico vão passar a técnicos da indústria naval mundial? Benefício? Cuca, Projeto Orla, Zeis, Pronasci e economia criativa.
LEONARDO SÁ
Doutor em Sociologia e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência da UFC
Esclarecimento
Meu coração está triste diante da falta de informação que tenho em relação ao Estaleiro. Muitas reportagens vêm sendo feitas, mas nenhuma nos dá a segurança devida relacionada ao remanejo ou não dos moradores do Titanzinho. Sou uma moradora privilegiada do bairro e moro bem em frente ao paraíso. Serei prejudicada por conta dos ventos e de não poder ter essa paisagem belíssima como fonte de inspiração para minha vida. Também não posso ser egoísta em meio a tantos trabalhos que podem surgir para a maioria da população, mas o que peço é o esclarecimento para todos moradores ou não deste bairro, para acabar com os desentendimentos entre moradores. Que esse assunto seja esclarecido logo.
SARAH ARAÚJO ANDRADE
Estudante de Administração e Logística e moradora do Titanzinho
VAMOS NÓS: Nesse debate todo, sem que isso signifique uma posição rígida a favor ou contra o LOCAL do empreendimento, convém considerar que com o valor para se criar um (1) emprego na indústria pesada se cria sete (7) empregos na indústria limpa do turismo. Assim, dá para imaginar o grande empreedimento turístico com a quantia que o Estado pretende aplicar no estaleiro, algo em torno de R$ 60.000.000,00 (sessenta milhões de reais), sem falar, obviamente, no montante da iniciativa privada.